Minimalismo como visão de mundo e de si

Há quase um ano eu me entendi minimalista. Mas o processo já vem acontecendo a bem mais tempo que isso, até eu descobrir que isso tinha nome. A partir de leituras e estudos vindos da minha área de formação, que é Design de Interiores, eu entendi o minimalismo.

Há dois anos, eu tive problemas respiratórios, que me atrapalhavam no meu trabalho (na época eu trabalhava como Revisora de Textos) e nas minhas atividades diárias. Até eu ir no médico, e ele dizer que minha rinite estava muito inflamada e eu deveria fazer uma mudança drástica na minha rotina. Começando por me desfazer dos meus maiores tesouros: meus livros.

Eu fiquei bem triste, porque eu suei para conseguí-los, comprando aos poucos para montar minha biblioteca particular. Mas eu tinha que cuidar da minha saúde. Vendi alguns, doei outros, até eu ficar apenas com os livros raros aqui no Brasil e aqueles que eu amava muito.

Mas nesse ponto, eu percebi uma ruptura. Eu deixei ir aquilo que eu acumulei como bens, e doeu na hora. Depois eu percebi que eles estariam comigo sempre, pois eu já os havia lido, e estavam guardados na minha memória. Agora eles fariam outras pessoas felizes, como me fizeram. Me desfiz de mais alguns, até ficar só com aqueles que eu sabia que se me desfizesse, eu nunca mais encontraria de novo, ou seria bem difícil de encontrar.

O marco

Acabei por começar a me desfazer de outras coisas que comecei a perceber serem desnecessárias. Fui aos poucos diminuindo meus pertences, até eu ter aquilo que eu realmente usava. Esse, eu vejo hoje, foi meu primeiro grande passo para me tornar uma minimalista. Na época eu não sabia o que era ainda. Mas a gente chega lá.

Eu comecei meu curso de Design de Interiores, que é tecnólogo, portanto só dura 2 anos. Ao longo do curso, a gente aprende técnicas e treina nosso olhar para ver ambientes montados. A gente aprende a seguir um briefing extraído do que o cliente quer. Mas em alguns momentos, a gente tem liberdade de fazer algo como a gente quer que seja. Nesses momentos, eu percebi uma diferença entre eu e meus colegas. Enquanto eles faziam ornamentos de muito destaque, com muito brilho, muita luz, muitos itens, eu sempre fui no caminho inverso. Meus projetos eram simples e objetivos. Eu explorava o máximo de potencial com o mínimo de coisas. Fui criticada por alguns professores; por outros, fui elogiada. Meus projetos foram chamados de minimalistas. E daí outra peça se encaixou.

Nesse meio tempo, eu me casei com meu (agora) esposo, Igor. Ele, ao contrário das pessoas da minha casa, nunca gostou de ter nada além do necessário. Aprendi um pouco com ele também.

Busca pelo Minimalismo

Comecei a buscar sobre minimalismo. Descobri que ele não estava apenas no design, mas também no modo de viver. Depois de tem que me desfazer de alguns tesouros (nesse ano eu perdi uma amizade forte também, mas que eu depois percebi ser tóxica), de me achar um elemento estranho na minha turma de designers, eu comecei a me descobrir.

Eu li um livro chamado Menos é mais, da Francine Jay, e foi daí que tudo se encaixou. Eu percebi o que estava faltando. Então o Igor e eu conseguimos nos desfazer do pouco excesso que ainda tínhamos em casa.

A partir daí, a gente percebeu como nossa vida ficou mais leve, objetiva e desapegada. A gente tem o que precisa e o que importa para nós. Cada coisa que temos tem uma razão de ser. Mas não foi só nossa casa que mudou.

Comecei a ver minhas relações cotidianas com outros olhos também. A toxicidade das pessoas não afeta mais (lembra da amizade que eu disse que perdi? Passou a ser uma história distante), pois eu aprendi a filtrar apenas o necessário e canalizar apenas o que é bom. Aprendi que nossa vida é muito curta para nos obrigarmos a conviver com pessoas tóxicas e absorver negatividade. Obviamente tem aquelas que estão próximas, quer a gente queira ou não. Mas a gente aprende a absorver apenas o que nos faz bem.

Hoje em dia, eu consigo olhar o mundo ao meu redor com outros olhos. Eu consigo apreciar muito melhor os detalhes que a vida proporciona e nem sempre a gente percebe. O tempo economizado em acumular e manter coisas me permite acumular experiências e manter o que me move e me motiva.

Já pensou nisso? Por que não tentar hoje?

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